Palavra do Pároco

MÊS DO DÍZIMO


Irmãos e irmãs, nestas próximas quatro semanas aprofundaremos o significado, espiritualidade e valor do dízimo. Esperamos que vocês possam vivenciar cada dia mais esse aspecto da nossa fé com mais intensidade.
1. FUNDAMENTAÇÃO BÍBLICA
O primeiro ponto está exatamente no fato de Deus ser o Criador de tudo o que existe, por isso, entregar o dízimo expressa esse reconhecimento (1Cr 29, 11.14)

Na época dos patriarcas Abraão e Jacó, o dízimo aparece novamente como reconhecimento, mas adquire também o sentido de gratidão a Deus pelas suas bênçãos. (Gn 14, 17-20; 28, 18-22)
Depois de Moisés, o dízimo se torna um preceito (Lv 27, 30), com a finalidade de sustentar os que faziam o serviço litúrgico, os levitas,(Nm 18, 21-32), auxiliar os necessitados, os estrangeiros, os órfãos e as viúvas (Dt 14, 29;26, 12-13) e um meio pedagógico de exercitar a confiança em Deus (Dt 14, 22-23).

Os profetas, de modo especial o profeta Malaquias, recorda o dízimo como expressão da fidelidade à Aliança que Deus fez com seu povo. Porém, quer que o povo não se esqueça que o dízimo não é uma obrigação formal, mas carece da interioridade, ou seja, o coração deve ser entregue junto com o dízimo, senão este é vazio. (Ml 1, 6-14).
No Novo Testamento, a motivação principal não é mais o preceito, mas a decisão livre da consciência, e não se baseia mais no cálculo percentual (10%), e sim na partilha (1Cor 9, 11; Fl 4, 16-17). Nas primeiras comunidades, os cristãos colocavam todos os bens em comum e partilhavam tudo, de modo que não havia necessitados entre eles. (At 2, 42-47).
Assim, para a Igreja, o dízimo precisa ser expressão de maturidade interior da fé, para que seja expressão da confiança em Deus e da liberdade em relação aos bens, e, acima de tudo, brote do íntimo de cada um, pois diz São Paulo Apóstolo: “Que cada um dê conforme tiver decidido em seu coração, sem pesar nem constrangimento...” (2Cor 9, 7).

Dar “dinheiro” sem dar o “coração” esvazia o sentido verdadeiro do dízimo! 

Pe. João Victor Bulle